Os custos ambientais e econômicos da carne bovina brasileira
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A pecuária é responsável pelas emissões de gases de efeito estufa, pela poluição da água e pela desflorestação, além de outros custos ambientais. No entanto, pouco se discute sobre as ameaças econômicas da agricultura animal. Muitos países dependem de subsídios governamentais, provenientes dos impostos, para apoiar e manter sua indústria de criação de animais.
Em 2017, o Brasil tinha um rebanho de mais de 183 milhões de vacas criadas para o abate. Este relatório foca nos custos ambientais e econômicos dessa indústria entre 2008 e 2017. Os autores consideraram todo o período desde o nascimento de um vitelo até o consumo humano de carne bovina.
Entre 2008-2017, as emissões anuais de dióxido de carbono equivalente (CO2e) do comércio de carne bovina no Brasil foram estimadas em 290 milhões de toneladas, representando 14% das emissões totais do Brasil nesse período. Outros 22% das emissões resultaram da conversão de terras da Floresta Amazônica em pastagens para vacas.
Um quilo de carne bovina no Brasil equivale a 78 kg deCO2e. No entanto, na região amazônica, a pegada está mais próxima dos 145 kg de CO2e por kg de carne bovina. Além disso, estima-se que, entre 2008 e 2017, foram utilizados 64 litros de água por quilograma de carne bovina.
O relatório salienta que a indústria da carne bovina tem também efeitos consideráveis na economia brasileira. Como o processo de criação de animais é ineficiente e não extremamente lucrativo, os governos de muitos países, incluindo o governo brasileiro, usam subsídios para apoiar a pecuária. Esses subsídios destinam-se a apoiar as indústrias e a estimular a atividade econômica.
De 2008 a 2017, o custo anual do comércio de carne bovina brasileira para o público foi de R$ 123 bilhões (cerca de US$ 30,8 bilhões). No total, quase 10% do preço médio de um quilograma de carne bovina provém do dinheiro dos contribuintes. Dos impostos cobrados ao setor da carne bovina, 79% foram devolvidos a este setor através de subsídios. Em 2015 e 2016, este número ultrapassou os 100% – por outras palavras, os impostos dados ao setor da carne bovina excederam os impostos cobrados ao mesmo.
Tendo em conta o quanto esta indústria depende de subsídios, poder-se-ia argumentar que não se trata de um modelo de negócio economicamente sustentável. Pode ter dificuldades em sobreviver em condições normais de mercado sem a ajuda do Estado. O relatório salienta mesmo que estes subsídios, financiados pelos contribuintes, podem funcionar como um incentivo à desflorestação na Amazônia, uma vez que a terra é desbravada para o gado pastar. Este facto contribui ainda mais para o impacto ambiental da indústria da carne bovina.
Por último, as isenções fiscais para certos sectores resultam em perdas financeiras para o governo que, de outro modo, teria arrecadado se esses sectores tivessem sido tributados. No caso do sector da carne bovina no Brasil, isto representou cerca de 7,9 mil milhões de reais de impostos perdidos por ano entre 2008-2019. O relatório atribui 51% destes impostos perdidos à produção de vacas, 42% à transformação e venda a retalho, e 7% à produção de “inputs” (por exemplo, alimentos para animais).
Os defensores dos animais no Brasil podem considerar aumentar a conscientização sobre como o dinheiro do contribuinte é usado para sustentar a indústria da carne bovina, bem como fazer lobby junto ao governo e conduzir outras formas de advocacia legislativa para acabar com os subsídios à pecuária ou mudar a forma como eles são alocados. Finalmente, aqueles que trabalham com os consumidores devem continuar a encorajá-los a deixar os produtos derivados de vacas fora dos seus pratos, para benefício dos animais, do ambiente e das suas carteiras.

