Empresa de carne financiada pelo governo impulsiona a desigualdade no Brasil
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Este relatório investiga a JBS, a maior produtora de carne do mundo. Analisando documentos corporativos, registros governamentais e entrevistas com informantes-chave, o autor explora de onde vem o financiamento da empresa, como seu dinheiro é gasto e quem se beneficia mais com seus lucros. Ele também avalia a ligação entre o crescimento da JBS, apoiado pelo governo, e as condições sociais e econômicas, particularmente nas cidades onde a empresa é mais ativa. Finalmente, ele oferece um conjunto de recomendações para tratar os problemas crescentes destacados na análise.
Início humilde, ascensão meteórica
A JBS foi fundada como um açougue familiar local em 1953, mas desde então cresceu e se tornou a maior produtora de carne do mundo. Esse crescimento é uma consequência direta da política de “campeões nacionais” do Brasil, que tinha o objetivo de fortalecer a JBS (e, portanto, o Brasil) no cenário global, conquistando novos mercados. Entre 2003 e 2017, o Banco Brasileiro de Desenvolvimento, uma instituição financeira pública de propriedade do governo brasileiro, investiu mais de 6 bilhões de dólares e alavancou laços políticos para ajudar a JBS a atingir suas metas. Outras manobras cruciais para a JBS incluíram:
- Oferta de ações no mercado acionário brasileiro a partir de 2007;
- Diversificação de sua linha de produtos, além da carne crua, para outras carnes e refeições prontas; e
- Aquisição muito agressiva de concorrentes, especialmente durante crises financeiras.
Com mais bilhões em financiamento de entidades financeiras globais, como o Banco da China e o Royal Bank do Canadá, a JBS acumulou uma enorme riqueza. Em comparação, 20 dos 27 estados federais do Brasil, que juntos respondem por quase 40% da população nacional, cada um gera menos receita do que a JBS ganha em um único ano.
Então, como essa riqueza é distribuída? Na maioria dos anos, cerca de 70% dos lucros da JBS são reinvestidos em reservas para aquisição de concorrentes. No entanto, em 2021, 54% dos lucros foram para os acionistas. E, embora os cinco principais executivos ganhem aproximadamente US$ 424.000 por mês – e seus salários continuem aumentando –, os 113.000 funcionários da empresa ganham apenas US$ 393 por mês. Isso é um terço do que é estimado como salário de subsistência no Brasil.
A riqueza não vai ser distribuída
Como destaca o autor, essa forte divisão salarial reflete um padrão mais amplo nas operações da JBS no Brasil. A política de “campeões nacionais” do país originalmente tinha o objetivo de aumentar o crescimento econômico local, mas houve um aumento de 50% na demanda por assistência social governamental, particularmente nas cidades onde a JBS opera. Embora a empresa forneça cerca de 3% do emprego nacional, a pobreza e a fome aumentaram em 11 dos 12 de seus principais locais.
Ainda que a política da empresa limite os aumentos salariais dos funcionários a 10%, executivos e administradores receberam aumentos salariais de até 229% nos últimos anos. E, apesar do slogan “Alimentando o mundo com o que há de melhor” e do endosso aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, apenas uma reunião do conselho em um período de 10 anos tratou brevemente do tema do fornecimento de alimentos. Assim, argumenta o autor, a riqueza da JBS não está se traduzindo em melhorias sociais no Brasil.
Um futuro obscuro?
Apesar do investimento público, a tomada de decisões da empresa permanece principalmente nas mãos de sua família fundadora, cuja influência continua moldando sua direção. Nos últimos anos, até 40% dos acionistas, incluindo o Banco Brasileiro de Desenvolvimento, votaram contra os enormes aumentos salariais dos executivos. Independentemente disso, esses pacotes de pagamento foram aprovados. O autor também levanta preocupações de que a listagem da JBS na Bolsa de Valores de Nova York possa transferir mais controle para investidores estrangeiros e limitar ainda mais a influência pública sobre a governança da empresa.
Para abordar essas questões, o autor conclui que uma ação coordenada é necessária e oferece as seguintes recomendações:
- O setor de carnes deveria pagar aos funcionários da fábrica um salário de subsistência e limitar o valor que os executivos podem receber. Ela deveria parar de se expandir por meio de aquisições e ser totalmente transparente sobre suas operações.
- Os investidores deveriam parar de investir em empresas de carne industriais. Em vez disso, eles deveriam financiar sistemas alimentares sustentáveis e socialmente benéficos.
- Os consumidores deveriam reduzir o consumo de carne e escolher produtos locais e socialmente responsáveis quando consomem carne. Eles também deveriam apoiar políticas de justiça, transparência e melhor regulamentação da indústria de carnes.
- Os acionistas deveriam exigir políticas de remuneração justa e pressionar por um maior impacto social. Eles também deveriam incentivar governos estrangeiros e fundos de pensão a se desfazer do setor de carnes.
- Os formuladores de políticas deveriam apoiar pequenos fazendeiros em vez de grandes empresas de carne. Eles deveriam aumentar o salário mínimo pago, garantir condições de trabalho justas nas empresas de carne e exigir que as empresas financiadas pelo governo sejam mais transparentes. Impostos e limites de publicidade na indústria de carnes também são recomendados.
https://www.issuelab.org/resources/43427/43427.pdf

