Doenças em aves em cativeiro, selvagens e traficadas
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As aves selvagens enfrentam muitos desafios de saúde que podem prejudicar cada uma delas, além de causar ameaças de extinção. Alguns desses desafios agravaram-se nos últimos anos, incluindo a perda de habitat, as alterações climáticas e a propagação de doenças infecciosas.
Os autores deste estudo destacam que as doenças podem não afetar todas as aves de maneira igual. Por exemplo, certas doenças podem variar dependendo da origem ou da situação de vida de uma ave (ou seja, se vivem na natureza, são mantidas como animais de companhia ou foram resgatadas do comércio ilegal de animais silvestres). Por esse motivo, os autores se propuseram a estudar a presença e a frequência de diferentes tipos de doenças que afetam aves selvagens, cativas e resgatadas no Brasil.
Os pesquisadores examinaram os corpos de 243 aves falecidas que foram enviadas para a disciplina de veterinária de uma universidade brasileira para análise entre 2006 e 2021. Eles conduziram um estudo post-mortem e/ou examinaram tecidos afetados para determinar o que causou a morte de cada animal. Entre as aves estudadas, 24 foram classificadas como selvagens (encontradas mortas no habitat natural), enquanto 95 foram resgatadas do tráfico e 113 eram companheiras em cativeiro ou mantidas em aviários. A origem das 11 aves restantes foi indeterminada.
Quase metade das aves (46,5%) eram da espécie Psittaciformes (por exemplo, papagaios), seguidas por 26% que eram Passeriformes (por exemplo, tentilhões-de-bico-grande). Galliformes representaram 9% da amostra (por exemplo, pavões, faisões e perus), enquanto 6% das aves eram Columbiformes (por exemplo, pombos).
As doenças infecciosas foram a causa mais comum de morte, afetando 177 aves (73%). Essas doenças tinham origem viral, bacteriana, fúngica ou parasitária. Algumas aves pegaram uma infecção, enquanto 18% tiveram uma combinação de duas ou mais (principalmente viral-bacteriana ou viral-parasitária). Aves com múltiplas infecções tendem a ser resgatadas do comércio ilegal de animais selvagens. Os autores destacam que as aves traficadas são geralmente mantidas em ambientes lotados e com má higiene, resultando em elevados níveis de stress que podem suprimir o sistema imunológico. Tais condições podem fazer com que doenças se espalhem rapidamente pelas populações de aves.
Embora as doenças infecciosas afetassem aves de todas as origens, os investigadores descobriram que eram mais frequentes em aves em cativeiro e resgatadas em comparação com aves selvagens. Além disso, houve variação no tipo de infecção, dependendo da origem da ave. Por exemplo, as aves em cativeiro foram mais frequentemente afetadas por doenças bacterianas, fúngicas e virais, sendo algumas transmissíveis aos humanos. Em contrapartida, as aves resgatadas e selvagens foram mais afetadas por doenças virais e parasitárias, respectivamente.
Os pesquisadores também identificaram uma série de doenças não infecciosas nas aves que estudaram. A doença metabólica, causada por dieta inadequada e desidratação, foi a segunda causa mais comum de morte depois das infecções, afetando 26 aves. Essa doença foi encontrada principalmente em aves em cativeiro e resgatadas. Traumas e fraturas foram a causa da morte de 14 aves, a maioria das quais resgatadas do tráfico. O envenenamento foi identificado como a causa da morte de três aves em cativeiro que inalaram acidentalmente gases tóxicos de panelas de Teflon. Foi estabelecido em pesquisas que o aquecimento do Teflon pode ser tóxico para as aves.
Este estudo destaca a importância de compreender as diferentes doenças que afetam as aves, não só para o bem-estar de cada animal, mas também para proteger as espécies. Os autores recomendam que os especialistas se concentrem na monitorização das populações de aves em cativeiro e selvagens para detectar e reduzir a transmissão de doenças antes que estas causem danos significativos.
Do ponto de vista da defesa dos animais, também é importante observar que as doenças variam dependendo da situação da ave. Por exemplo, embora seja conhecido que o tráfico causa estresse a animais individuais, este estudo sugere que os animais traficados podem sofrer muito mesmo depois de serem resgatados. Por isso, os defensores devem destacar a transmissão de doenças como outra implicação do comércio de animais selvagens para o bem-estar. Por fim, os defensores devem conscientizar os guardiões das aves sobre algumas das doenças comuns entre as aves em cativeiro (por exemplo, doenças metabólicas, câncer e envenenamento) e como eles podem abordar essas questões para proteger seus companheiros.
https://doi.org/10.3390/ani14010025

